Adeus, querida chucha!

A chucha já foi tema de conversa aqui, há 2 anos.
E entretanto muita coisa aconteceu, mas para te fazer um breve contexto vamos recuar um bocadinho a 2019, aquele ano distante em que jamais pensávamos ficar em confinamento.
Há 1 ano, mais coisa menos coisa, a Nonô começou a acusar a pressão de “ainda” usar chucha. E o “ainda” está entre aspas porque para mim, como mãe, é um assunto delicado.
Eu explico.

Nunca gostei da forma como muita gente ainda acha que todas as crianças têm de fazer tudo ao mesmo tempo e da mesma maneira.
Todas deviam começar a andar com 1 ano, a falar com 2, a largar as fraldas aos 3, etc.
E quando falamos de chucha, parece até que há uma espécie de competição.
Uma vez ouvi o seguinte comentário na sala de espera da pediatria:

O meu filho tem 1 ano e já não usa aquela porcaria, tirei-lha! Chorou durante 1 semana e pronto! Acabou-se!

Eu ouvi aquilo e pensei “pobre coitado, tens muita sorte Maria Leonor“.

Aqui em casa não gostamos de forçar a coisa. O Martim ainda tentou a dada altura – também ele parecia pressionado já pelos comentários do exterior – mas rapidamente percebeu que o caminho não era esse. E não foi.

“Quando eu fizer 4 anos, nunca mais uso chucha”

Mas como eu dizia… a Nonô começou a acusar a pressão e foi prometendo que aos 4 anos não usava mais a chucha! Estávamos a 6 meses desse momento e, para ela, ainda vinha longe.
Mas o mês de Maio chegou e, com ele, os tão desejados 4 anos.

No dia em que fez 4 anos, por curiosidade, perguntámos se queria colocar a chucha numa caixinha para oferecer ao primo que ia nascer.
Ela recusou e atirou a promessa para o ano seguinte.

Ok, não há problema.

“Quando eu fizer 5 anos não uso mais a chuchinha, mamã.”

Os meses foram passando e já estávamos mais que familiarizados com os termos pandemia, confinamento, quarentena, covid.
A Nonô, tal como muitas crianças, sentiu muito na pele os efeitos de ficar longe da escola, dos amigos, das rotinas que tanta segurança lhe davam.
A chucha tornou-se ainda mais fundamental neste período.
De uma fase em que só já usava à noite para dormir passou a usá-la novamente o dia inteiro.
Sim, permitimos.
Sim, deixámos estar.
Sim, deixámos andar.

E sabes porquê?

Porque confiamos nela.

(Pelo meio conseguiu rasgar umas 3 chuchas – restava apenas 1 – e fez 2 tentativas de a deitar para o lixo e 1 de a guardar num “sítio secreto” escolhido por ela.)

É importante confiarmos nos nossos filhos

E foi o que fizemos.
Confiar tem-nos trazido, até hoje – e já passaram 4 anos desde que ela nasceu – bons resultados.
Confiámos que ela iria deixar a fralda durante o dia quando se sentisse preparada. E assim foi.
Confiámos que ela iria começar a fazer cocó na sanita, em vez de pedir fralda, e assim foi. Falámos sobre isto aqui.
E assim tem sido sempre, em vários momentos do crescimento dela.

Com a chucha foi exactamente igual.
Deixámos andar e, no início deste mês, numa bela noite quando a fui deitar vira-se para mim e diz-me assim:

Mamã, eu vou deixar a minha chuchinha na mesa de cabeceira porque eu não vou precisar dela. Se eu precisar, eu vou buscá-la.

Ok, filha. Como quiseres.

O certo é que não só não foi buscar a chucha como desde então não a usou mais.
Já passaram 3 semanas.
Iniciativa dela e só dela.
Demos-lhe os parabéns, porque o reforço positivo é sempre importante, e dissemos que ela era uma “grande crescida”.
Sim, tem momentos em que diz ter muitas saudades da chuchinha querida, mas vem ter ou comigo ou com o pai para lidar com esse sentimento.
Um abraço, um carinho, um colinho ajudam a superar e a seguir em frente.

O conselho que te posso dar, se me permites, é simples: confia no teu filho e ouve mais o teu coração e menos os outros.
O que funciona com uma criança nem sempre funciona com outra.
Os tempos de cada uma são diferentes e é importante que se respeite isso. Para que os pequeninos se sintam seguros das suas decisões e do caminho a seguir.

Se estás a passar por esta fase agora ou vais passar, sê paciente e pensa que nenhum de nós levou a chucha para o 1º emprego.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.