10 coisas que mudaram cá em casa com a Pandemia

Foi ao final da tarde do dia 12 de Março que tomámos a decisão – “não vai mais à escola”!
Depois de a termos ido buscar falámos bastante, analisámos o que tinha de ser analisado – se bem que não havia grande coisa a discutir – e decidimos em conformidade, em consciência e em conjunto.
Dia 18, o “Presidente Marcelo” (como a Nonô já lhe chama) decretava o “estado de emergência”.
Este artigo é exactamente para explicar o que é que mudou depois disso.
E escolhemos 10 coisas. Podia ser mais; podiam ser menos. São dez.
Ou seja, 10 coisas que mudaram (radicalmente) cá em casa com a chegada desta Pandemia.

(Nota: este texto não foi escrito a quatro mãos, mas sim a duas vozes. Eu escrevi, a Ana ajudou-me a encontrar as 10 mudanças.)

Não foi uma decisão de um contra o outro. Nada disso.
Procuramos sempre tomar as decisões fundamentais e estruturais em conjunto, mesmo quando não estamos de acordo em algumas delas – e acredita que muitas vezes não estamos. E está tudo bem quando assim é.
Que aborrecido seria viver uma vida de total concordância e de zero discórdia.

Sabíamos que as coisas estavam a ficar fora de controlo e decidimos que o melhor mesmo era resguardá-la e seguir aquilo que parecia ser inevitável: tirar a nossa filha da escola e protegê-la, protegendo-nos, deixando-a debaixo da nossa asa, dentro do nosso castelo.
E como nós, muitos dos pais e mães que vão ler este texto fizeram a mesmíssima coisa.

Assim, no dia 13 de Março a Leonor já não foi à escola.
E desde então, desde então tudo mudou nas nossas vidas.

E não. Isto não é exagero nenhum. Tudo mudou nas nossas vidas.

Os banhos de sol durante o “estado de emergência”

Como a vida muda tão depressa

Claro que ninguém estava à espera que isto durasse tanto tempo.
Claro que ninguém contava que a vida sofresse alterações tão profundas como aquelas a que fomos forçados.

Mas aquilo que distingue os seres humanos é precisamente a capacidade incrível de nos adaptarmos às inevitabilidades e à realidade imprevisível e inesperada.

Assim, vou apresentar já de seguida uma lista de tudo aquilo que mudou cá por casa, ou pelo menos das coisas mais notórias e estruturais, desde que a Pandemia de Covid-19 chegou para nos fazer perceber que não mandamos no planeta coisíssima nenhuma:

As mudanças:

1. Horários de trabalho. Passou a ser impossível trabalhar durante muito tempo seguido. As primeiras duas semanas serviram para nos provar que era fisicamente impossível estarmos os três no escritório a trabalhar ao mesmo tempo. Solução? Trabalhar por turnos. A Ana ficou com o turno da manhã. Eu fiquei com o turno da noite.

2. Planear todas as refeições. Tornou-se absolutamente indispensável. Para além de tornar a gestão diária e semanal mais fácil, reduziu consideravelmente o stress de não saber o que fazer para o almoço ou para o jantar, a meia-hora do almoço ou do jantar.

3. Rotinas de trabalho para a Leonor. Sempre fomos fãs, adeptos, defensores incondicionais das rotinas. Ajuda o facto de ser licenciado em Educação de Infância e de cedo ter percebido e aprendido o quanto as rotinas diárias ajudam a estruturar o pensamento das crianças e, mais do que isso, a fazer com que se sintam mais seguras. Por isso, começámos por pedir que nos ajudasse, diariamente, a fazer as camas. A dela e a nossa. Não é uma imposição cega e inflexível.

Mas ela passou rapidamente a incorporar isso nos seus dias.
Depois, com a ajuda da Mafalda (a educadora) começámos a ter os momentos de trabalho diário propostos e orientados por outro dos seus adultos de referência – que fez um trabalho incansável.
Parte da rotina das manhãs começou a incluir a visita à ChildDiary para descobrir quais as actividades que a Mafalda tinha programado para aquele dia.

4. Os passeios higiénicos à volta da nossa rua. Temos a sorte de viver num sítio que não é densamente povoado. Isto significa que para sair à rua nunca precisámos de cuidados extremos, de máscara, de luvas, de escafandros, ou nada que se lhe pareça. Assim, 3 vezes por semana, pelo menos, vamos à rua passear com ela. Ou vou eu logo de manhã, enquanto a Ana continua o seu trabalho, ou vamos todos ao final da tarde. Faz-nos bem a todos. Se faz.

5. Os cuidados redobrados na higiene pós-rua. Passou a ser obrigatório lavar sempre as mãos depois de vir da rua. Desinfectar as mesmas com o álcool gel e repetir isto algumas vezes por dia. Para além disto, os sapatos passaram a viver constantemente junto à porta de casa… mas do lado de dentro. Nunca se sabe…

6. Ginásio em casa. Quem nos acompanha há mais tempo sabe que a Ana é uma ferverosa adepta do exercício físico e que eu sou um ferveroso adepto do não fazer rigorosamente exercício físico nenhum. Ou melhor, era.

Este período de reclusão acabou com essa realidade. Sim. É a mais pura das verdades. Passei a fazer exercício 3 vezes por semana. Inicialmente fazíamos os dois, depois passei a fazer ao meu ritmo e a Ana manteve as aulas com o PT. Posso dizer que já noto efeitos surpreendentes no meu corpo e na minha mente.

Até para as escadas já fui treinar – subir e descer escadas é um exercício muito poderoso. E assim, posso dizer com certeza que esta foi possivelmente a transformação mais incrível que operei na minha vida nestes 2 meses. Já não passo sem o meu exercício semanal. E que bem que isto me sabe.

7. Horários de deitar. A Leonor passou a deitar-se, regra geral, ligeiramente mais tarde – pelas 21:45/22:00. Já eu rebentei com a escala. Passei a deitar-me diariamente às 03:00/03:30. Porquê?
Porque só consigo trabalhar decentemente a partir do momento em que ela se deita. O meu trabalho tem uma componente criativa muito forte, o que requer concentração durante um largo período de tempo seguido. Com filhos em casa, isto torna-se absolutamente impossível de conseguir. Mas ser pai é isto mesmo. Arranjar soluções. Certo?

8. Idas ao supermercadosozinhos. Era uma das coisas que fazíamos alegremente os três. Ir às compras. De barriguinha cheia, pois claro. =)
Quisémos sempre que a Leonor percebesse que pode ir connosco às compras, que pode e deve fazer parte desse processo, que é importante perceber que as coisas custam dinheiro, que não pode ter tudo aquilo em que os seus olhos poisam, pelo que era uma rotina semanal da família e que, regra geral, acontecia depois dela sair da escola, algures durante a semana. Assim, passei a ir quase sempre eu às compras. Sozinho. Com máscara, pois claro. Desde o início que optei por fazer isso mesmo. Porquê? Porque sim. Porque acreditei no poder protector das mesmas.

9. Mais compras online. Se alguma coisa se avaria cá em casa e percebemos que não tem conserto, compramos online. O melhor exemplo é mesmo aquele que vivemos nas últimas semanas com a preparação do aniversário da Leonor. Tudo foi comprado online – até porque as lojas estavam fechadas – abrem a 1 de junho.
Assim, se já éramos fãs deste tipo de comércio, mais ficámos.
Os meus livros têm sido comprados assim, também.
As prendas dos dias da Mãe e do Pai foram compradas assim, também.
Este é um hábito que veio para ficar.

10. Mais (muito mais) vídeo-chamadas. Esta foi uma das mudanças necessárias para conseguirmos falar com os nossos e ver-lhes as caras.
Não há como não aproveitar uma das maravilhas da tecnologia, a possibilidade de podermos falar com os que mais amamos na vida mesmo quando não podermos estar fisicamente com eles.
Os avós são, de longe, os maiores utilizadores deste tipo de chamadas.

Como seria de esperar. Se há alguém a quem isto está a custar (e muito) é aos avós, que se vêem privados da companhia de quem lhes dá tantas e tantas alegrias. Dos abraços. Dos beijinhos. Enfim…

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Isto já é um hábito diário. Passou foi a acontecer 3 e 4 vezes por dia.

A vida não vai voltar a ser igual

Aceitar e encarar isto depressa e com o menor sofrimento possível é a melhor forma para conseguirmos manter a sanidade mental.
Passaram quase 3 meses e nós, todos nós, uns melhor, outros pior, ainda aqui estamos.

E assim, aqui ficámos e fomos ficando. Trancadinhos em casa. Sossegados.
A ver passar um dia atrás do outro. Como melhor soubémos e pudémos.

Mas todos, sem qualquer excepção, vítimas de um confinamento que não pedimos, de uma situação que não desejámos, de uma realidade com que nunca sonhámos. Mas aguentámos. Fomos aguentando. E com tudo isto passaram quase 3 meses… Se alguém nos dissesse que íamos ficar 3 meses em casa… era de começar logo a partir para a ofensa baixa e deselegante… mas aconteceu. Ficámos quase 3 meses em casa.
E agora, dia 1 de Junho, ela vai voltar para a escola

E aí por casa, quais foram as mudanças mais significativas que aconteceram e como é que adaptaste os teus dias? Conta-nos como é que lidaste com isto.

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