O que (ainda) não vos contámos sobre a ida à Terceira

Como sabem, a Leonor apanhou varicela pouco antes da viagem que tínhamos programada para a Terceira, em meados de Novembro. Bilhetes comprados, tudo pago e ela CHEIA de vesículas da cabeça aos pés.
“Ainda bem que apareceu agora”, suspirámos nós! “Já viste se aparecesse durante a viagem?”.
Pois é, ainda bem que a Leonor teve varicela antes da viagem!
E tu, Ana, já tiveste varicela?” – perguntavam-me.
Não! Nunca tive!
Prepara-te, vais apanhar!“, disse-me calmamente a Joana – que já dispensa apresentações aqui, vá.
Obrigada, Joana! – pensei eu.
Nas vésperas de fazermos as malas, fomos todos jantar a casa da minha mãe e comentava à mesa, inchada que nem um pavão, que me tinha safado, que a minha mãe não se lembrava e que eu já tinha tido varicela em criança sim senhora. Ou isso ou era mesmo fortalhona, mesmo daquelas pessoas cheias de tudo o que é escudos e protecções e cenas que não deixam os bichinhos entrar no corpo.
Então vá, bora lá fazer as malas pra Terceira, sua forte!

O dia da viagem

Tudo fino e cheios de energia. A pequenina adora voar!
Ida pela TAP: mais de meia hora à espera dentro do avião depois da hora prevista de descolagem, mas em compensação a pessoa foi a viagem toda a ver um filminho de animação, a ouvir uma música… pronto! Está tudo bem. Já passou.
Chegados a essa belíssima ilha que é a Terceira, foi alugar o carro – um Smart for 4 espectacular – e seguir para o hotel, em Angra.

Nesse dia, jantámos na outra ponta da ilha – em Altares. Ficámos parvos com a rapidez e facilidade com que visitávamos tudo. 20 km de Angra a Altares.

O dia seguinte

De manhã tudo era ainda mais bonito, caramba!

Tínhamos a sexta-feira toda para nós porque o Martim só tinha o 1º workshop para dar no sábado às 18h00.
Passámos o dia a passear, a conhecer a ilha.

Verde, verde e mais verde. E vacas no meio da estrada que nos obrigavam a parar o carro e a esperar, tal como em S. Miguel.

Uma beleza natural incrível! Comida boa, um ar limpo.
Terminámos a manhã na Praia da Vitória a almoçar umas lapinhas seguidas de umas belas lulas grelhadas e, claro, não podia falta a KIMA.
Depois do almoço, um passeio pela praia de areia preta e umas brincadeiras à beira-mar.

Decidimos voltar ao hotel para descansar um bocadinho (ah, entretanto, por causa de um imprevisto, mudámos para um hotel no centro da cidade de Angra e ficámos ainda melhor localizados, dava para fazer imensa coisa a pé).
Quando me vou despir para trocar para uma roupa mais confortável… uma vesícula na minha barriga… e mais outra… e olha aqui outra… “Martiiiiiiiiiimmmmmmmm!!!“.
Juro que no espaço de uma hora já tinha na cara, nas pernas, nos pés… nas costas… e nem vale a pena adiantar mais pormenores, porque o cenário tornou-se medonho, garanto-vos.
Toca a vestir! Da porta do hotel à farmácia eram uns 50 passos.
Farmácia Lisboa: quão irónico é isto, minha gente?
Pois é, olhe como é a segunda pessoa da família a ter… vai ter uma dose grande, prepare-se! Leve aqui um spray para aliviar a comichão, um creme, Atarax e ben-u-ron para a febre e dores.
Estava com tantas dores de estômago que nesse dia nem consegui jantar quase nada.

Já me doía o corpo todo e estava a tornar-se muito complicado ter a roupa junto à pele cheia de vesículas de água prestes a explodir.
Ainda por cima enganei-me na m**** do par de calças de ganga que levei a mais e meti umas bem justas. Boa Ana!

Uma noite para esquecer

Passei a noite super mal. Não conseguia adormecer com tanto frio e comichão. Febre. Tomava o ben-u-ron e, nem 8 horas depois, já estava com febre outra vez.
Levantava-me imensas vezes para meter o spray onde conseguia e voltava para a cama. Confesso que nessa noite, de sexta para sábado, só queria voltar para casa. Chorei e, apesar de grata pela oportunidade de ali estar, só queria estar na minha casa, nos meus lençóis, com as minhas coisas.
Essa madrugada foi para esquecer mesmo. Fui-me abaixo. Não queria, mas fui.
Não queria dar parte fraca, mas tinha muitas dores.
Não queria dar parte fraca, mas tinha a cara que parecia um bicho e uma comichão doida.

Acordei já mais resignada. Manhã de sábado. Pequeno-almoço sentada de costas para toda a gente, cheia de vergonha, não sei porquê.
O Martim serviu-me a mim e à Nonô mas… eu nem fome tinha.
Continuava com dores de estômago e mais ainda com a possibilidade de não me deixarem embarcar no dia seguinte.
Estava fora de questão ficar mais de 7 dias na Terceira a recuperar, a pagar estadia, refeições, carro… impossível. Não dava mesmo.
Além disso, segundo me explicou depois o médico, no voo de ida já eu estava na fase de contágio, mesmo sem saber. Mas já lá vamos.

Seguimos o nosso dia tranquilamente e sem tentar pensar muito no assunto. Conhecemos melhor Angra, fomos beber um café junto à igreja, dar um belo passeio a pé e a pequenina ainda andou nos trampolins e fez a sua primeira pintura… não facial, que continua sem querer, mas na mão.

O almoço foi depois no Restaurante da Associação Agrícola, claro – bem diferente do de S. Miguel em que ficámos em lista de espera!

Depois veio mesmo a calhar uma sestinha a duas até à hora que o pai teve de sair para ir trabalhar.
Enquanto o Martim foi dar o workshop, e como me sentia melhor e com menos dores, fomos as duas até à rua comer castanhas assadas e respirar aquele ar de Angra que não tem explicação.

O dia terminou a três no restaurante de um português super simpático que esteve 3 meses no Canadá e que levou para a Terceira sabores inovadores. Elio’s – recomendamos! Malta simples, excelente atendimento!

O (tão ansiado) regresso

Chegou o dia de regressar a casa.
Bem tentei manter o espírito aberto, mas não foi fácil, pois comecei a ficar ansiosa com o embarque.
A manhã começou lindamente e fomos ao Jardim Duque da Terceira, um paraíso que nem vos conto! Vejam lá vocês:

Maquilhei-me porque sempre disfarçava (inocência minha) o meu ar acabado e, dessa forma, não ficava tudo a olhar para mim.
Do jardim seguimos para o local do 2º workshop que o Martim ia dar e, como família unida que somos, ficámos para assistir a esse, claro!
A Leonor esteve “em cena” com o pai e saiu-se muito bem. O pai falava, ela comia bolachas e acenava com a cabeça como quem diz: “é verdade o que ele está pr’áqui a falar, tomem nota!“.
Depois do workshop, um último almoço no sugerido Qb, uma ida ao parque e… bora lá pr’o aeroporto.
Adeus Smart for 4!

O aeroporto das Lajes é tão pequeno que entregámos o carro nas chegadas e em menos de 2 minutos estávamos nas partidas.

Tudo decorreu com normalidade. Ninguém me barrou, que era o que eu temia.
Embarque feito! Tudo a postos para voltarmos a casa.
Viagem tranquila, a ler livros e a pintar com a pequenina.

Aterragem sem sobressaltos e com os avós à espera! – OBRIGADA! –

Chegados a casa, liguei para o serviço médico do meu seguro. Tive uma “consulta por telefone” que me descansou. O médico, super atencioso, disse que deveria ir dormir e de manhã ser então observada no hospital pois iria precisar de mais um medicamento para me ajudar a recuperar.
Lá fui! Confirmou-se que precisava mesmo de um retroviral. E, depois de contar todas as peripécias, o médico explicou que no voo de ida para a Terceira já estava “contagiosa“, infelizmente, mesmo não sabendo. “Não foi a primeira nem será a última pessoa a viajar nessas condições, não se preocupe.
Trabalhei o tempo todo da minha varicela – trabalhar a partir de casa tem esta vantagem. O máximo que consegui, a tomar Atarax.
Acho que isso também ajudou a que não me fosse tão abaixo.

Moral da história: A Terceira é linda e a varicela é uma doença de m****. Mas agora, minha menina, agora já não me apanhas mais, sua feia! Que ainda tenho marcas à tua conta, sua egoísta. Não sabes brincar.


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