5 razões para passar férias no interior de Portugal

Este ano escolhemos fazer as nossas férias no campo.
Na floresta. No rio. Na piscina.
Que é como quem diz, este ano optámos por escolher o interior centro de Portugal para uma merecida e muito ansiada semana de férias a três.

Foi por isso que resolvemos juntar 5 (boas) razões para passar férias no interior de Portugal.

Quando a vida muda… outra vez

A nossa vida voltou a mudar, no final de Julho, quando saí da BBDO, onde tinha entrado no princípio de Maio.

Tomada e comunicada a decisão, rapidamente concordámos que estávamos mesmo a precisar de uma semaninha juntos, longe de tudo. Longe de todos.
Perto do que é mais importante: nós. Ela.

A Leonor já tinha tido uma semana de férias com os avós.
Assim, os pais resolveram escolher o interior deste país lindo e a bonita cidade de Oliveira do Hospital, para um retiro em família.
Para ser mais preciso, ficámos em Vila Pouca da Beira.

E gostámos MESMO muito.

Então… mas e o Algarve ou a Costa Alentejana?

Não somos hipócritas. Longe disso.

Obviamente que estas duas zonas de eleição do turismo nacional estiveram na nossa wish list.

Ainda pensámos (e procurámos) coisas boas (e em conta) nestes dois locais e também em Tróia. Mas os preços exorbitantes acabaram por nos levar a subir os olhos para zonas mais a norte no país.

Quem me conhece sabe que tenho um carinho muito especial pela serra da Lousã, zona que conheço razoavelmente bem. Gosto muito da vila.
Das pessoas. Do cheiro. Da história. De tudo o quanto ela fez por mim.

Castelo da Lousã

Sou (e serei) eternamente apaixonado por uma vila em particular, Foz de Arouce, a 6,5km da Lousã.

Comecei a fazer campos de férias em Foz de Arouce em 1991 e só parei em 2009. Fui muito feliz naquela linda terra, como é fácil de perceber pela forma como falo e escrevo sobre ela.

Guardo tantas memórias de tantos e bons momentos passados ao longo de vários anos, naquela zona do país.
De sítios como Góis, Serpins, Vila Nova do Ceira, Talasnal, Arganil, Miranda do Corvo, Figueiró dos Vinhos, Proença-a-Nova

Fiquei eternamente encantado e hoje sou um pai muito feliz por estar a começar a mostrar à minha filha os sítios lindos e maravilhosos que tive a sorte de conhecer. Aqui. Em Portugal. 

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Transmissão de herança cultural, in loco, na Serra da Lousã

Mas vamos lá então às razões pelas quais achamos que a escolha das próximas férias deve passar pelo interior do país.

1. Beleza Natural

Claro que as praias do Algarve e da Costa Alentejana são lindíssimas, cheias de areia fina e de um Oceano interminável. Mas já pensaste em acordar a ouvir o rio a correr serra abaixo?

Já pensaste em adormecer a olhar para uma imensidão tão grande de estrelas que parece que vais ser engolido, a qualquer momento, pelo próprio do Espaço?

Já alguma vez sentiste o prazer de abrir as portas da varanda, ir até lá fora, sentires o fresco da serra e não ouvires um motor, uma buzina, gritos, o autocarro a chegar à paragem… nada! Só pássaros e o vento a fazer dançar as árvores ainda ensonadas.

Spoiler alert: prepara-te para ver muito verde e castanho. Mas não podes deixar de te preparar para veres muito negro, cinzento e branco. Os incêndios dos últimos 2 anos deixaram marcas que, em alguns casos, ainda estão frescas.

2. Ar puro

O ar que se respira na serra é um ar diferente. Sempre. É mais fresco. Mais leve. Mais… puro.

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Vila Pouca da Beira

Enche-nos os pulmões de uma sensação perfeita que sabe tão bem.

Não que na praia também não o tenhas, mas a areia mete-se pelo caminho e dá-lhe um travo diferente. A serra é a serra.
Acredito que isto contribui para que quase toda a gente goste de passear pela serra.

São sempre passeios e viagens marcantes.
São as estradas de curvas e contracurvas.
São as aldeias que teimam em resistir ao passar dos anos, são as paisagens incríveis que se vêem lá do alto e que nos fazem dizer:

– Caramba! Temos um país lindo!

Vila Pouca da Beira

É o ar fresco.
É o ar puro.
São as fontes à beira da estrada.
É o rio a correr.
É o som do rio a correr.
É a frescura gélida da água.
É a gente sentada na esplanada à beira da estrada.
É o tempo que passa devagar. Sem pressa nenhuma. Sem urgência que não a de existir.
E é um contraste tão evidente com a vida que vivemos durante os restantes 350 dias do ano, que acabamos sempre apaixonados por férias assim.

Claro que o ar da praia e do mar também é maravilhoso.
Claro que também enchemos os pulmões daquele cheiro incrível que só o mar tem.
Mas o ar da montanha e da serra… não sei, parece-me sempre mais fresco.

3. Preços

Esta foi a razão principal para termos optado pelo interior do país para as férias deste ano.

Quando começámos a procurar hotéis no Booking, percebemos logo que era tudo muito mais barato, quando comparado com Algarve e Alentejo onde, em Agosto, os preços são, regra geral, muito mais elevados.

Mais, a isso acresce o facto de haver muita oferta e de haver pouca coisa esgotada.

Foi assim que encontrámos aquilo que nos pareceu o sítio perfeito: Vila Pouca da Beira.

Fica a cerca de 10 km de Oliveira do Hospital, a 280 km (mais coisa, menos coisa) de Lisboa e a 170 km do Porto.

O hotel é lindíssimo. É o antigo Convento do Desagravo.

Convento do Desagravo, Vila Pouca da Beira

Escolhemos um quarto com vista para a piscina, as vinhas e a montanha nua, lá ao fundo, e optámos pelo regime de meia-pensão. Pequeno-almoço e jantar incluídos no preço final.

Ou seja, os almoços foram sempre fora, o que deu bastante jeito, já que a nossa ideia era sair de manhã, depois do pequeno-almoço, e bater estrada. Almoçar no hotel seria, portanto, um “corte” no programa e estava fora de questão.

Os preços variaram entre os 13€ em Piódão (num café), os 16€ em Oliveira do Hospital – na Tasquinha dos Marques – e os 45€ em Santa Comba Dão, num bonito restaurante por cima do rio Dão, o Cota Máxima.

Nota: Estamos a falar de preços de refeições para 3 pessoas!

Praias fluviais e piscinas com acesso fácil e gratuito

Para começar, importa mostrar alguns destes sítios por onde passámos.

  • Praia fluvial de Avô
  • Praia fluvial de Piódão
  • Praia fluvial da Cascalheira (Arganil)
  • Praia fluvial de Góis
  • Piscinas Naturais da Lousã – Praia fluvial N. Srª da Piedade

Depois, é importante dizer que em qualquer um destes lindíssimos locais o estacionamento é gratuito.

Todos eles são servidos por um bar e casas de banho.

Para chegar a qualquer um deles é preciso algum esforço. Repito, algum esforço. Por vezes, com 16 quilinhos de muito amor ao colo!

Não é nada que não se faça para tentar chegar a praias desertas das maravilhosas costas alentejana e algarvia, por exemplo.

4. Património Cultural

Para além dos monumentos, das fontes, das serras, dos montes, do ar puro e do sossego terapêutico, há no interior deste nosso país uma riqueza bem maior: as suas gentes.

Ouvir falar quem é da terra. Sentir a sua simpatia. A forma como recebem quem vem de fora com um sorriso rasgado. A paciência com que nos explicam caminhos e nos ensinam as coisas que as pessoas da cidade, regra geral, não sabem é formidável.

Aconteceu precisamente isso enquanto estivemos parados em Aldeia das Dez.

“Tenho inveja de quem bebe, a água em todas as fontes.”

A Ana é um bocadinho “cocó” com as aventuras na natureza. Com os bichos.

Com o beber água das fontes à beira da estrada com um letreiro a dizer: água não controlada. Com a falta de areia. Com as melgas.

(Em sua defesa tenho que dizer que fez um esforço para embarcar nesta aventura e esquecer algumas dessas coisas e saiu-se lindamente).

Estávamos precisamente a debater a perigosidade de beber da fonte que vêem aqui em baixo na foto, na Aldeia das Dez, quando um senhor, que me disse ser bombeiro voluntário, mas que estava a trabalhar ao serviço da Junta de Freguesia, me deu umas luzes sobre a qualidade da água que me corria pelas mãos.

Segundo ele, que tem de ir muitas vezes aos depósitos de água, a água que bebemos daquelas fontes é a mais pura que pode existir. Porquê? Simples.

Porque vem directamente da nascente. Não é alterada. Não tem químicos. Ao contrário da famosa e mundialmente reconhecida “agua del cano”.

Não me conhecia de lado nenhum. Nunca me tinha visto na vida. Mas isso não o impediu de meter conversa e de me explicar porque é que podia beber água das fontes à vontade, mesmo daquelas que dizem “Água Não Controlada”.

“É a melhor água que pode beber, amigo.”

Depois há o sorriso em quase todas as pessoas com quem metemos conversa, a quem pedimos uma informação, uma indicação, seja lá onde for.

Sim, os smartphones afastaram-nos destas pessoas, na medida em que, havendo GPS para nos dizer para onde é que temos de ir, havendo apps como o TripAdvisor, a Zomato ou o The Fork, que nos dizem onde devemos comer, havendo o Booking ou o Airbnb para nos dizer onde dormir, deixámos de precisar de falar seja com quem for para chegar onde queremos.

Consequências da modernização.

Mas vale bem a pena contrariar esse facilitismo imediato e sair do carro para perguntar alguma coisa a alguém, para falar um pouco com quem é da terra e sabe as coisas que a Internet não diz. Porque não, o Google não sabe tudo!

5. O sossego

Descanso merecido

Podia ter sido o primeiro ponto desta lista. Porque é, muito possivelmente, a característica mais evidente do interior do nosso país. O sossego. A calma.
A paz. A tranquilidade.

A vida tem outro ritmo, outra velocidade, outra cadência, menos urgência, menos voracidade. Tem outra beleza.

Talvez lhe dêmos tanta importância exactamente por isso. Por vivermos no CAOS imparável da cidade, da capital, da correria louca diária. Talvez por isso esta tão simples mas cada vez mais importante condição, seja o que mais valorizamos numas férias no interior do país.

O final de um dia na serra é outra coisa. É mesmo.

O verde e castanho da paisagem sossega, relaxa, tranquiliza. Depois, depois segue-se o céu polvilhado de estrelas, como se alguém agarrasse num frasco de açúcar em pó e polvilhasse o céu como se de um pastel de nata se tratasse.

É magnífico olhar para um céu imenso e poder ficar inerte, sentado numa cadeira ou deitado no chão a olhar para cima. A ver o que se passa lá em cima. Lá longe onde só a imaginação nos consegue conduzir.

O acordar é igualmente delicioso. Calmo. Tranquilo.

O canto dos pássaros tem um efeito quase terapêutico ao acordar.

Mas nem tudo são rosas, claro que não.

Os (pequenos) contras

Há sempre coisas boas e coisas menos boas no meio destas listas de comparação entre o sítio A e o sítio B; entre a realidade C e o contexto D.

Há algumas coisas que dificilmente se encontram numas férias na praia. A começar pelas melgas. A Leonor nunca tinha sido picada por melgas e… foi a eleita para ser “devorada” por estas destruidoras da paz de uma família a meio de uma noite.

Foi picada mais de 15 vezes e ao 3º dia parecia sei lá o quê, coitadinha, mordida na cara, nos braços, nas pernas… enfim. =)

Depois há a singularidade dos locais que visitamos.

Muitas vezes têm acessos complicados, por estradas onde cabem 1 carro e outro meio, na melhor das hipóteses; onde dá para sentir vertigens; onde temos de puxar desalmadamente pela embraiagem do carro; onde é preciso fé, coragem e perseverança para chegar ao destino.

As praias fluviais, que são lindas e muito bem preparadas, requerem que se leve equipamento adequado, nomeadamente, uma manta para pôr no chão, calçado para andar no rio (para os mais cautelosos), repelente para insectos, geleira para frios, etc…

Ahhhh, coisa importante para se dizer, em alguns destes sítios acontece a maravilhosa experiência de se ficar sem rede no telemóvel.
Regressamos a 1990 num instantinho e somos livres.
Mas há quem não ache piada nenhuma a isto.

Por último, mas não menos importante, dizer que talvez o maior dos senãos seja mesmo o termos de pegar no carro todos os dias para irmos a qualquer lado – isto se somos pessoas com vontade de conhecer o que está ali à nossa volta e irmos visitar o maior número de coisas possível.

Estando no meio de uma serra, poucas coisas são “já ali” e as estradas que serpenteiam pela montanha têm muita beleza para mostrar, mas pouca ajuda para dar a quem começa a enjoar, como é o caso da Ana. =)

Conclusão

A conclusão mais do que óbvia deste texto é, quanto a nós, muito simples de perceber.

Vale bem a pena escolher o interior do país para as próximas férias, mas não há melhores nem piores.

Aqui não há vencedores ou vencidos. Se há filhos, então, eles ganham sempre, quer tenham férias na praia, quer tenham férias no campo. É na riqueza da experiência que está a maior das vitórias.

Por isso, da próxima vez que pensarem nas férias, pensem no interior com todo o carinho.

Garantimos que não haverá arrependimento algum. E se nunca o fizeram, o “baptismo” é inesquecível para todos.

Boas férias e melhores passeios.

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