Aos avós que levam os netos de férias

Devia ser-lhes erguida uma estátua! Daquelas com bom destaque, que fizesse parar o trânsito.
Levar os netos de férias (sejam eles uns anjinhos ou uns diabinhos) exige uma responsabilidade sem medida.
São SÓ as “coisas” + preciosas daquelas 2 almas e das 2 almas que as trouxeram ao mundo. SÓ os bens mais queridos de todos!
Aos avós que levam os netos de férias devia ser feita uma vénia, devia ser atribuído um prémio, um diploma de mérito, uma medalha.
Levar os netos de férias implica que os avós não possam ter férias descansadas, relaxar por completo… isto porque quando temos filhos e netos há um alarme que nunca se desliga, por mais descontraído que se seja.
A Nonô foi pela primeira vez de férias com os avós – os meus pais! – no ano passado, com 2 anos. Foram só 3 dias que, para nós, pareceram 3 semanas. Ela adorou, os avós adoraram… e dissemos aqui que seria uma experiência a repetir.
E foi mesmo!
Este ano, por causa da mudança de emprego do Martim, não pudemos fazer a nossa habitual paragem a 3 para espairecer a cabeça.
Entretanto a minha sogra disse-me que em Junho ia de férias.
Fiquei a pensar, embora não tivesse dito nada no imediato.
A Leonor ia à praia com a escola na 3ª semana do mês, isso era garantido! Mas a praia eram 2 semanas.
Foi então que decidimos dividir e proporcionar-lhe o MELHOR de 2 mundos: ir à praia uma semana com os amigos e ir de férias na semana seguinte com os avós.
Os meus sogros ficaram radiantes, ela radiante ficou. Não falava de outra coisa!
Sabia bem para onde ia, para que casa ia, o que ia levar na mala, que livros queria ler, etc.

Tem uma capacidade de encaixe e de decisão que me espantam a cada dia!
Desta vez seria UMA semana inteira, de segunda a sábado sozinha com os avós!
Por momentos passou-me pela cabeça que ela ia sentir saudades e que ia chamar pela mãe e pelo pai.
Mas estava, sobretudo, curiosa para ver a reacção dela quando de repente passasse aquela excitação do 1º dia…

E chegou o momento…

Mala feita, peluches escolhidos!
Os recados já tinham sido todos dados.
Cadeira auto instalada no carro dos avós. Carrinho de bebé a postos!
Os meus sogros foram buscá-la às 10h. Beijinhos para aqui e para ali – ela quando quer é muito beijoqueira, e eu adoro! 
Começou a dar-me aquele aperto no coração que não se explica.
Então e agora só volto a beijar aquelas bochechinhas no sábado?
Então e agora só lhe dou abracinhos no sábado?
Mas ela cheira tão bem!! – Rogério e Sofia, desculpem as vezes que tiveram de ouvir isto!

Bom, ela ia excitadíssima no carro e depois de mais um abraço e um beijinho e um “amo-te muito mamã” e “até já, mamã” lá seguiram viagem!
Assim que me vi sozinha, pronto… desabei!
Fartei-me de chorar, que ridícula! Liguei ao Martim… que nem precisou que abrisse a boca!
Chorei, chorei, chorei, pus cá p’ra fora e já está! Já passou!
Decidi começar a pensar nas coisas boas apenas:
ela está feliz e vai divertir-se
(qualquer coisa meto-me no carro e vou buscá-la)
os avós vão adorar
(qualquer coisa meto-me no carro e vou buscá-la)
vai ter uma MERECIDA pausa da escola (antes das férias de Verão)
(qualquer coisa meto-me no carro e vou buscá-la)
nós vamos ter mais tempo para nós, para poder pôr a conversa em dia à hora de jantar e ver 1 ou 2 episódios de Anatomia de Grey ou This is Us, que também sabe bem.
E soube!

5 dicas para passar uma semana sem ela (sem ter um ataque!)

A Leonor é uma menina muito crescida e, ao mesmo tempo, uma bebé doce e que só quer dar beliscões nas mãos e nos braços (e onde calhar!).
É daquelas crianças – e isto, desculpem lá, mas não é só sorte! – que dá vontade de levar para todo o lado! Faz as suas birras, claro, como qualquer criança de 3 anos, tem os seus momentos para descarregar as frustrações, etc.
No entanto, desde sempre, adoramos levá-la connosco para todo o lado – em viagens, ao supermercado, ao restaurante, a casa de amigos.
Não quero com isto dizer que não planeemos um dia uma viagem a 2. O que quero dizer é que é MUITO BOM também viajar a 3.
Ela sabe estar, sabe conversar, faz uma companhia do caraças!
E isto que escrevi podia ser apenas uma coisa de mãe babada, mas os avós comprovam.
Depois de perguntar à minha sogra se ela estava a dar trabalho, recebi a seguinte mensagem a meio da semana:

“Qual trabalho??? O normal de uma criança de 3 anos só que a Leonor é diferente, não chateia nada. Tenta às vezes levar a dela avante tipo mas eu quero, mas eu queria… pouco mais que isto.
Rapidamente a convencemos que não é a melhor ideia e faz logo o que sugerimos. Um doce mesmo. E muito boa boca. Um amor!
Já ganhou medalha de ouro da melhor neta do mundo. De uma meiguice sem fim!”

E pronto! Tenho baba até 2030! ahahahah
Mas a verdade é que eu já sabia que ia ser assim!
Ninguém conhece melhor os nossos filhos do que nós mesmos.
Apesar disso, e de saber que tomámos uma boa decisão, custa, dói um bocadinho. Fui ao quarto dela cheirar a almofada todos os dias antes de me deitar! (Digam-me que também já fizeram isto, please!)
Mas agora fora de brincadeira, deixo-vos alguns truques que me ajudaram:

1. Focar-me no trabalho (mais ainda!);
2. Treinar (
mais ainda!);
3. Fazer umas arrumações ao final do dia (
coisas que estavam a ser adiadas e que se fazem mais rápido se eles não estiverem em casa, vocês sabem como é);
4. Acompanhar os dias dela através das fotografias que a minha sogra ia mandando (
ajudou-me muito a acalmar as saudades);
5. Marcar um jantar com amigos e noutra noite irmos jantar os 2 sozinhos.


No fundo tudo se resume a MANTER A CABEÇA OCUPADA!
Se estivermos com a cabeça ocupada, os dias passam mais depressa.

Felicidade sem preço

A Nonô esteve sempre feliz e bem-disposta, vem cheia de histórias e experiências para contar e isso… bom, isso não tem preço.
Os avós ficaram seguramente mais ricos também!
Os dias dela dividiram-se entre a praia, os castelos, a piscina, as idas ao parque, ao mercado, os passeios à beira-mar, as brincadeiras com o avô, as histórias antes de adormecer com a avó… e tudo o resto que não dá para colocar em palavras: as vivências, os sentimentos que ela traz na bagagem!

Nas video-chamadas que fazíamos à noite conseguíamos perceber a felicidade no rosto dela, no olhar!
Tão bom!
“Mamã, agora vamos comer um gelado, está bem?” Tipo, tenho de desligar, vá, já chega! Ok, filha!
Por tudo isto e muito mais, aos avós que levam os netos de férias não se pode exigir nada.
Há que agradecer! AGRADECER.
Agora meus amigos, agora dizemos nós: “Vamos só ali comer um gelado os 3, está bem?”. Até já!

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