Hoje é dia de escola?

Esta é talvez das perguntas que não falham no nosso dia-a-dia.
A cada manhã lá vem a já esperada dúvida: “Hoje é dia de escola?”.
Não é segredo para ninguém que a Leonor entrou para o berçário com 4 meses, a caminho de fazer os 5.
Não tendo nenhuma das avós em casa para poder ficar com ela, esta foi a decisão inevitável e posso dizer que… correu bem. Mas não vos vou mentir: se tivesse oportunidade de a “proteger” mais um tempinho, acho que não hesitava.

Todos me falavam dos males do “infectário“: “prepara-te que agora vais uma semana trabalhar e ficas outra em casa”, “olha que agora tudo o que não apanhaste em miúda vais apanhar com ela”, “aquilo é só bichos”, entre outras frases igualmente optimistas.
Bom, é verdade que se calhar não estando na escola a Nonô não teria passado por 3 bronquiolites quase seguidas; é verdade que não estando na escola não teria muito possivelmente apanhado o temido vírus pés-mãos-boca (nem eu!!).
Mas também é verdade que há miúdos que, não estando na escola, apanham isto tudo e mais um par de botas (ou de bactérias, neste caso!).
A fazer um balanço, esse balanço seria francamente positivo.
Primeiro porque, doenças à parte, me/nos permitiu encontrar profissionais como eu acho que há poucos por aí.
Depois porque me/nos permitiu conhecer a Beta e a Joana. E desculpem-me todas as outras (que são tantas e tão importantes!!) mas a Beta e a Joana foram as primeiras pessoas a entrar na vida da nossa Leonor logo depois da família.

Afinal quem são a Beta e a Joana?

A Beta e a Joana tomaram conta dela enquanto nós trabalhávamos.
A Beta e a Joana mediram-lhe a febre.
A Beta e a Joana deram-lhe colo (muuuuuito! E ainda dão!), comida, amor, carinho, abraços.


A Beta e a Joana estiveram lá quando ela caiu para trás para apanhar um boneco e bateu com a cabeça e vomitou (o maior susto em tanto tempo de creche!).
A Beta e a Joana estiveram e estão à distância de uma mensagem ou de um telefonema. E se para alguns pais isto pode parecer estranho, para mim sempre foi e continua a ser um descanso para a alma.
Acho que da lista de “cagaços” (sempre adorei esta palavra!) consta certamente o ligarem a uma mãe ou um pai da secretaria e dizerem assim “Bom dia, é a mãe da Leonor? Só um momento que eu vou passar!”.
Como assim “eu vou passar”?
O que é que aconteceu?
E naqueles segundos que parecem minutos a pessoa morre um bocadinho.
Sempre foi muito mais confortável para o meu coração de Mãe receber um telefonema da Beta ou da Joana a dizer assim “Está tudo bem. Era só para avisar que a pequenina está a ficar meia fon fon.”
E o meu coração fica logo naquele “Está tudo bem”. Pronto. Simples. Já sei que o que vem a seguir não é grave.

A escola não é só comer e dormir

Depois há quem pense que a escola é só comer e dormir, que não se aprende nada antes dos 3 anos.
É daquelas batalhas que já nem sequer vale a pena travar.
A escola é brincar com os amigos.
A escola é teimosia, é aprender a comer sem ajuda, é ir à casa-de-banho sozinho e fazer o caminho inverso ainda a tentar puxar as cuecas.

São as mordidelas no braço, na perna, onde calhar. Os puxões de cabelos.
A escola é cair, é levantar, é empurrar e ser empurrado, é perceber que as nossas acções têm repercussões no outro e em nós.
A escola é aceitar que temos de esperar. É aprender a lidar com a frustração. É tédio. É festa.
A escola é a mochila nova, é a dança, é a professora Susana e o fato-de-treino da Minnie escolhido na véspera com um sorriso nos olhos.
A escola é “desensrascanço“. É independência e, ao mesmo tempo, mimo.
A escola são as tranças que a Joana faz e as correrias para o colo da Beta.
São os beijinhos tímidos às Catarinas. O dizer olá todas as manhãs à Marta.


A escola é ir à janela com a Vanda dizer adeus à mamã e ao papá. É o chamar a Inês e fugir a correr dela já entre risos.
A escola é tropeçar, é andar nos baloiços, é dar a mão.
É o dói-dói. São as queixinhas. São os “colegas”.
São os desenhos e as aprendizagens. As músicas. A roda diária de boas-vindas.
A escola é eles saberem os nomes uns dos outros.
É a recusa em ficar depois de 2 ou 3 dias em casa.
É a festa de Natal e a festa de fim de ano com a participação dos pais e de todos.
É o vocabulário, são as histórias.
A escola é sabermos que vamos chegar e que vamos ouvir “Olá Ana!” ou “Olá Martim!”. E que bem que isto sabe!
É olhar para os olhos da Beta e ela saber que eu não estou bem.
É segurança.

E para vocês, o que é a escola?

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